Encontramos o motorista da Unidas e fomos em direção a van. O percurso até a locadora foi uma aventura insana: o cara dirigia feito louco, as malas pulavam no porta malas, os pedestres se jogavam na frente dos carros, parecíamos turistas britânicos na Índia, enfrentando aquele tráfego impossível. Houve um momento em que estávamos na pista da esquerda para pegarmos um acesso à direita para um viaduto. O carro que estava na direita, por sua vez, queria ir pra esquerda. Resultado: a van "fechou" o carro, que foi parar na zebra que sinalizava a bifurcação, e tivemos que seguir em frente, com o motorista pegando outro acesso.
Conseguimos chegar vivas e inteiras à locadora e ainda tivemos que esperar dois homens que estavam discutindo sobre o carro que iriam alugar. Quando chegou a nossa vez, trouxeram o Palio 1.0 que tínhamos escolhido, sem ar condicionado. Eu já estava colocando as malas, mas a Rejane, que é mais descolada que eu nessas coisas, começou a acompanhar o cara da locadora que estava mapeando os amassados, arranhados e similares. Depois ela me pediu pra testar as luzes, e lá fui eu: ré, freios, lanternas, faróis, indicador de direção... foi aí que se deu a coisa, a luz do pisca dianteiro esquerdo estava queimada.
Nós não havíamos dito nada que iríamos pegar 500km de estrada, mas de qualquer forma, o carro precisava estar em ordem mesmo pra andar na cidade. Conversa vai, conversa vem, eles trocaram o carro: pegamos um Chevrolet Classic, com ar condicionado, pelo mesmo valor do Palio. Tinha até rádio, mas não encontramos nenhuma emissora que valesse a pena.
Já prevenidas em relação ao trânsito, conseguimos acessar a BR 324 rumo à Feira de Santana. Apesar de muitos caminhões, seguimos rapidamente, pois a estrada foi duplicada. Só que, no mapa que havíamos consultado antes de sair de São Paulo, havia uma indicação de uma espécie de anel viário no entorno da cidade, o que faria com que não tivéssemos que entrar no trecho urbano pra pegar o caminho pra Chapada. Só que não rolou!
O trânsito em Feira também era intenso e, pra piorar, o sol estava se pondo... atrás das placas em que deveríamos enxergar a indicação do caminho a seguir! Ou seja, não dava pra ler nada!
Lá pelas tantas eu parei num posto de gasolina, no meio da cidade, e a Rejane desceu pra perguntar o caminho pra Lençóis que é a principal cidade da região da Chapada. Voltou pro carro com cara de "agora lascou" e repetiu o que o homem que a informou havia dito: "Segue nessa lida por 75km até o Posto Paraguaçu. Aí é só seguir à direita".
A essa altura eu já estava tão desesperada que nem raciocinei: "nessa lida" eu traduzi por "enfrentando esse trânsito dos infernos" por 75km. Só depois de rodar um pouco mais é que caiu a ficha: impossível uma cidade, um trecho urbano com essa extensão. É claro que o cara estava nos informando da distância até o local em que teríamos que pegar outra estrada em direção a Chapada.
O trânsito foi diminuindo e as casas e lojas também. Havia muitos terrenos com caminhões estacionados, galpões, botecos, e escurecendo. Nem um posto de gasolina onde confirmar a informação, nenhum posto de polícia rodoviária, nada! A Rejane começou a observar indicações de hotéis e similares, já imaginando que teríamos que ficar por ali mesmo, mas a aparência dos lugares que víamos não era nada recomendável para três mulheres sozinhas.
Enfim, depois de muita aflição, apareceu uma placa indicando que aquele era o caminho para a BR 242, que sabíamos que era a estrada que iria nos levar até Lençóis e a Chapada. Sorte nossa que isso foi ANTES de aparecer outra placa, indicando que estávamos na BR 116, na direção do Rio de Janeiro e São Paulo...
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