Voltamos para a pousada e o Amilcar, que não sossega, resolveu pegar a moto e ir com a Edna ao Riacho Preto, seguindo as indicações do Atílio. Nós, mais preguiçosas, ou realmente querendo um pouco de moleza, ficamos à toa na pousada, conversando, cochilando, curtindo a rede e o local tão gostoso. O sinal de Wi-Fi era bem irregular, mas a Natália conseguiu verificar que tinha sido aprovada em mais uma etapa do processo seletivo para estagiar na Nestlé.
Para o jantar, Cinthia havia sugerido que fossemos no restaurante "As fadas", um pouco distante da cidade, e um pouco mais caro do que os locais da Vila. A preocupação com o preço, porém, foi embora rapidinho: o lugar era lindo, o restaurante era como uma grande casa de madeira na encosta de uma montanha, então só a vista já valia a visita. Ao contrário dos locais mais rústicos do Capão, lá as mesas tinham toalhas brancas, guardanapos de pano, pratos e copos mais finos. E os preços eram caros pra quem já está vivendo na Chapada faz tempo, porque não chegavam nem perto dos de restaurantes do mesmo nível em São Paulo.
Chegamos até lá em duas viagens, já que tínhamos apenas um carro pra 8 pessoas. Os que foram antes conheceram a Artemísia, filha dos donos do local: uma menina de menos de dez anos, extremamente tagarela, que adorava conversar com "gente grande" como se entendesse muito dos assuntos adultos. Por exemplo, conversando com Edna e Juliana, que são mãe e filha, Artemísia concluiu que a Ju era velha, irmã da Edna, e tinha uma filha. E a respeito de crianças, saiu-se com a frase "Ah, eu sei como dá trabalho ser mãe pelas minhas bonecas!".
O dono do restaurante, encarregado da cozinha, era um senhor italiano, responsável por um nhoque de aipim com molho de gorgonzola que era tudo de bom! A esposa, Nara, venezuelana, administrava, atendia no balcão e também fazia caipirinha, coisa que adoro e não tinha encontrado até então na Chapada. E tinha também a Clarissa, bióloga, filha de mãe baiana e pai argentino, que estava trabalhando como garçonete.
Antes das massas tomamos a sopa de cebola, que é a grande atração do restaurante e o motivo da Cinthia nos levar até lá, acompanhada de vinho tinto, tudo combinando perfeitamente com o frio que faz à noite naquela região. Voltamos pra pousada em duas viagens também, no ponto certo pra ter uma excelente noite de sono.








