segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pinturas rupestres na Serra das Paridas

Após nos despedirmos e agradecermos a acolhida de D. Noese, pegamos a estrada novamente. Um trecho razoável de areião fofo - ainda bem que o Robson dominava o ofício de motorista - e lá estava uma das pedras que contém inúmeras pinturas rupestres.















O sol já estava relativamente baixo no céu, projetando uma luz mais alaranjada que destacava a imponência da pedra e nos deixava de boca aberta.


O local é um sítio arqueológico descoberto recentemente. Os estudos preliminares estimam que há pinturas rupestres com idade de 8 mil a 35 mil anos, a maioria, aparentemente, de caráter religioso. A estrutura montada para receber os turistas possibilita uma visão bem próxima das pinturas, mas sem que possamos tocá-las.
As pinturas são feitas em várias cores, como o amarelo, vermelho, branco e preto, utilizando pigmentos minerais, como o óxido de ferro e o de manganês fixados com gordura animal ou com água.



As figuras representam pessoas, animais e figuras geométricas e uma delas parece a representação de uma cachoeira, entre as muitas que existem no local.


A pintura que dá nome ao local é chamada por muitos de ET, mas se olharmos bem, é possível identificar o cordão umbilical e o bebê no chão.
O triste é saber que apesar da ação do tempo não ter conseguido destruir as pinturas, um dos riscos que elas correm é o ataque de um tipo de cupim que constrói uma trilha com barro por cima das pinturas. O tipo de substância que esse inseto secreta no processo de construção da sua "casa" corrói a pedra e as cores.

Difícil retorno e super almoço

Começada a subida de volta da Cachoeira do Mosquito, percebemos o tamanho da encrenca: estávamos praticamente no fundo de um grotão e teríamos que subir toda a pirambeira de volta. E além de ser uma senhora subida, o clima não ajudava, pois o percurso de ida havia sido feito de manhã cedo.

Isso significa que quando percorremos o trecho de gerais, com areia fofa e sem cobertura vegetal, o sol ainda estava fraquinho e a temperatura bem amena. Quando esquentou, já estávamos à sobra das árvores e descendo.


No retorno, o sol estava quase à pino, então nem as árvores davam muita cobertura. Natália e eu sofremos: enquanto Robson, Rejane, Atílio e Cinthia subiam lépidos e fagueiros, nós duas suando afogueadas não víamos a hora do caminho terminar.

Pra piorar, em determinado trecho da trilha o Robson pegou um desvio que não devia ter pego e ainda tivemos que voltar um pedaço pra continuar a subir novamente. A coisa estava tão desesperadora que num determinado momento eu me sentei sob a minúscula sombra de um arbusto e disse que estava com vontade de chorar. A Rejane ficou preocupadíssima, mas antes de poder fazer qualquer coisa, foi a Natália quem também parou e bradou: "Jesus, me leva!"

A essa altura não dava pra saber se deveríamos rir ou chorar, mas descansamos um pouco - pela décima vez - e continuamos, no nosso passo, empatando o pessoal mais bem preparado fisicamente.

Ao subirmos o último trecho, depois do qual havia um pequeno declive em direção à casa da fazenda, recobramos o ânimo, e não foi só porque já tínhamos praticamente chegado: é que havia uma ducha gelada saindo de um cano bastante largo. Eu já fui tirando a roupa - estava de maiô por baixo, porque havia entrado na cachoeira - e largando pelo caminho enquanto me dirigia para aquela abençoada miragem. A Natália entrou de roupa e tudo.

Refrescadas e novamente nos sentindo como seres humanos, partimos para o abraço, o super almoço preparado pela D. Noese.

Tinha arroz, feijão, macarrão, carne de sol, frango ensopado com batatas, couve refogada, alface, tomate, beterraba cozida, aipim, bolinho de milho, quiabo com abóbora e quiabo bobó. O suco de limão fazia parte da refeição, mas para quem preferisse, a cerveja estava geladinha.

De sobremesa tínhamos as opções de escolher entre ambrosia e doce de goiaba.

Depois de tudo isso, uma descansadinha nas redes, mas teve que ser "inha" mesmo, porque já tínhamos programação para o período da tarde.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Na Cachoeira do Mosquito

A partir de um certo trecho, a trilha tornava-se um declive acentuado, passando de meras "pirambeiras" pra descidas íngremes, com verdadeiros degraus a serem descidos, além do sempre bem vindo corrimão.





















Passamos por alguns trechos do rio, já mansos depois da queda...


... e de repente demos de cara com um baita paredão de pedras, que avançava e se fechava no local por onde a água caía de uma altura incrível.


















A água era gelada, mas revigorante depois da longa trilha. Rejane e Natália, mais friorentas, só molharam os pés, mas Atílio, Cinthia e eu encaramos o desafio.


Depois de nos prevenir que "pedra e areia, queda feia!", o Robson resolveu tirar um bom cochilo apoiado nas pedras.













Aproveitamos o sol pra nos secar antes de enfrentar a subida de volta e o almoço de D. Noese que nos esperava.


Antes até de começarmos o caminho de volta, Cinthia identificou, no alto do paredão, uma casa de abelhas que fez com que todos nós entendêssemos a forma como elas são representadas nos desenhos animados, quando caem sobre o Pica Pau ou o Zé Colmeia.



















quinta-feira, 25 de julho de 2013

Chacoalhando na estrada de terra

Madrugamos para podermos chegar no horário combinado a Lençóis, onde nosso passeio iria começar. Antes até de Natália e Rejane estarem prontas, Atílio e Cinthia já estavam chegando à pousada.

Comemos nossos biscoitos, frutas secas e tomamos os sucos comprados no supermercado no dia anterior e pegamos a estrada. Passamos por Palmeiras, onde houve tempo pra uma paradinha no Banco, já que no Capão isso não existe, e seguimos atrás de muitos caminhões até chegar a Lençóis.

Nosso guia, o Robson, já estava bastante animado: cheio de graça, fazendo piadas, nos encaminhou pra Doblô que nos levaria até a Fazenda dos Meninos, onde nos seria oferecido um café da manhã antes de seguirmos até a Cachoeira dos Mosquitos. O único problema foi o caminho: 20 quilômetros de asfalto e 40 de terra, sendo que a estrada era absolutamente irregular a partir da Fazendo dos Impossíveis.

A fome aumentava, o café da manhã não chegava, e em certo momento a Cinthia sacou sua reserva especial de uvas passas. Ofereceu pra todos nós que estávamos a bordo, incluindo a Rejane, sentadinha no último banco, na "gaiolinha", como ela chamava. Só que as passas chegaram lá e não voltaram mais! Quando alguém pediu as ditas cujas de volta, só tinha uma rapinha no fundo do saquinho, e a explicação da Rejane foi que como ela não conseguia acompanhar a conversa pelo barulho do carro atravessando as pirambeiras, acabou se distraindo com a comida...

Mas a espera valeu a pena, fomos recebidos com um café da manhã delicioso, preparado pela D. Noese, a dona do local. Além do café propriamente dito, havia sucos de mamão com limão, maracujá com manjericão e couve com jenipapo.



Pra comer, tinha avoados (biscoitos de polvilho) e bolo de puba. D. Noese nos ofereceu biju de tapioca, o que aceitamos sem pestanejar. Mas a grande novidade foi que além de prepará-lo com manteiga ou queijo, ela sugeriu que experimentássemos com guaca-mole. Como a maioria de nós curte comidas diferentes, a aceitação foi geral, e enquanto a filha da D. Noese ia buscar os abacates no pé, fomos dar uma olhada na horta, no pomar e no pilão antigo que existe na fazenda. Quando os bijus começaram a ser feitos, foi preciso organizar a distribuição, porque a Cinthia gostou tanto que corríamos o risco de ficar sem!

Felizes e bem alimentados, fomos em direção à trilha que nos levaria à Cachoeira dos Mosquitos, cujo nome, no início, assustou principalmente a Rejane, que é alérgica a picadas e que sempre atrai pernilongos, borrachudos e outros insetos do tipo. Mas ficamos todos mais tranquilos quando o Robson explicou que o nome vinha dos pequenos diamantes conhecidos como "mosquitinhos" que eram encontrados na região.

Começamos num terreno relativamente regular, com um leve declive, que misturava mata atlântica, cerrado e gerais, sendo este último um sistema com areia e vegetação baixa, arbustiva.
Entre os tipos de planta locais, o Robson nos mostrou o candombá, um tipo de mato que pega fogo mesmo quando está molhado.

Na parte de cerrado, de repente o Robson fez sinal para que parássemos. Nós nem tínhamos notado, mas havia uma cobra cipó praticamente atravessada no meio do caminho.


Imaginem nossa alegria quando ele disse que de vez em quando também aparecem onças por lá... até hoje não sabemos se é verdade ou se foi só pra nos deixar espertos!