segunda-feira, 9 de maio de 2016

Meu senhor do Bonfim

O café da manhã da pousada em Salvador era bem fraquinho, ainda mais se comparado à fartura que tivemos na Vila do Capão. Além de leite, café e suco, havia apenas uma fruta, queijo, pão francês, manteiga e geleia. Bem básico.

Natália já havia combinado com amigas, conhecidas de internet, que viessem nos buscar de carro e nos levar a alguns dos locais turísticos da cidade. Chegaram Cátia e Bárbara, super simpáticas, já avisando que Mila não viria pois estava adoentada, o que de certa forma acabou facilitando, já que cabíamos todas num só carro.














Rumo à Península de Itapagipe, passamos pela avenida onde avistamos o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. Apesar de serem pontos turísticos importantes, mostravam-se bem abandonados: ruas sujas, prédios antigos no entorno em petição de miséria, nada convidativo. Já a península era bem diferente. Formada por um braço de terra que avança para a baía, foi o lugar onde famílias ricas de salvador se estabeleceram, e ainda é possível ver antigos casarões, alguns deles bastante bem conservados. Seguimos em frente, aproveitando a bela paisagem, e chegamos ao Bonfim, cujo ponto principal é a Igreja na colina.


Nem é preciso dizer que mal nos aproximamos da igreja, veio gente de todo lado querendo vender todo tipo de coisa: fitinhas, amuletos, chaveiros, figas... Uma dificuldade nos livrarmos, já que não pretendíamos comprar coisa nenhuma. 

A igreja é o resultado de uma promessa que deu origem à irmandade de devoção ao Nosso Senhor do Bonfim. Sua construção data da metade do século XVIII, e a imagem do santo, feita sob encomenda em Portugal, ficou por catorze anos em outra igreja até o momento da inauguração do Bonfim, em 1754. Suas torres, porém, só foram concluídas em 1772.








A fachada da igreja é voltada para o centro da cidade e conta com pedra morena nos portais e contorno, e é parcialmente revestida de azulejos portugueses.



No teto da igreja, pintura do mestre Franco Velazco.















No portão que cerca a igreja, centenas de fitinhas do Senhor do Bonfim amarradas. Natália adorou!










Em frente à igreja há um largo com jardim e chafariz, muito convidativo. Nós que adoramos nos aventurar por caminhos desconhecidos, resolvemos seguir pela ladeira que saía por ele e seguia por trás da igreja, mas uma senhora nos alertou que seria perigoso, ainda mais com nossa cara de turista. Aceitamos o conselho e voltamos ao carro pra continuar nosso passeio.



sábado, 7 de maio de 2016

De volta a Salvador

Saímos da Vila do Capão às 9h e seguimos até Palmeiras, onde paramos para abastecer o carro. Precisávamos devolver o carro em Salvador até às 15h, conforme o contratado, e até Paraguaçu conseguimos percorrer a quilometragem dentro do tempo previsto. Aí a coisa começou a complicar!

Entre Paraguaçu e Feira de Santana apareceu um caminhão do Amazonas dirigido por um motorista que estava a fim de se divertir às custas dos carros: nas descidas fazia umas ultrapassagens absurdas, ainda mais se considerarmos que a estrada era de pista simples, uma para ir e outra para voltar. Depois, à frente dos carros, reduzia a velocidade e ia segurando todo mundo. No início parecia que era somente coincidência, mais depois da quarta vez repetindo o mesmo procedimento, ficou claro que esta era a forma do caminhoneiro espantar o tédio da estrada...

Se o caminhoneiro doido nos atrasou pra caramba, pior ficou a partir de Feira de Santana: enormes filas de caminhões, dificílimas de ultrapassar por estarem vários em sequência. À cerca de 50 km de Salvador, começamos a procurar um local pra lavar o carro, porque estávamos com receio de entregá-lo do jeito que estava, cheio de barro e poeira, e a locadora exigir algum pagamento extra. Encontramos um posto onde havia uns frentistas bem dispostos e por R$ 20,00 eles aceitaram jogar uma água e deixar o carro um pouco mais apresentável.

Entramos em Salvador e suamos pra chegar até a pousada, que ficava na Barra, porque além da sinalização não ser tão boa quanto a que temos em São Paulo, muitas delas não nos diziam nada, já que não sabíamos quais os outros bairros que ficavam na mesma direção que queríamos seguir, e competir com os carros dirigidos pelos baianos era algo completamente insano. 


Já que não iríamos conseguir mesmo chegar à tempo na locadora de automóveis, decidimos ir primeiro pra pousada O Ninho, fazer o check-in e deixar as malas. Ao chegarmos, ficamos absolutamente chocadas! Enquanto a Vila Esperança, no Capão, tinha quartos grandes, bonitos, com tudo arrumadinho e novo, essa pousada em Salvador era simplesmente uma casa adaptada. 

Quartos pequenos, guarda-roupas velhos de madeira, minha cama (de casal) encostada numa das paredes, quase sem espaço pra circular e praticamente sem janela pra abrir, já que com a adaptação que foi feita, se houvesse janelas, elas se abririam para um corredor interno (meu quarto era a lavanderia!) ou algo parecido. Ao menos estava tudo muito limpo, o que já atenuou um pouco a má impressão inicial.

Malas descarregadas, a Natália ficou na pousada enquanto Rejane e eu enfrentávamos novamente o trânsito de Salvador para devolver o carro. O receio agora era não conseguir chegar antes da locadora fechar, mas devolvemos as chaves às 17h07 e tivemos que pagar as duas horas de atraso. 

Missão cumprida, o negócio agora era voltar pra pousada de ônibus. Pegamos um que ia para o Shopping Barra e tivemos que andar ainda vários quarteirões para chegarmos. Uma vez instaladas, verificamos que ao menos os chuveiros eram ótimos: apesar dos banheiros serem bem simples, com azulejos, metais e louças tradicionais, estava tudo limpo e boa parte do stress foi embora pelo ralo. 

Limpinhas e cheirosas, saímos a caminhar pela orla na direção do Rio Vermelho pra encontrarmos algum lugar pra comer e tomar umas, que estávamos merecendo! Poucos quarteirões à frente, demos de cara com o "Caranguejo do Sergipe", um barzinho que é uma franquia e que no momento oferecia 500 g de camarão frito alho e óleo por R$ 20,00 durante a happy hour, que acabaria em menos de meia hora. Paramos por lá mesmo e a outra promoção era um balde com 5 garrafas de Bohemia por mais R$ 20,00. Pra mim estava ótimo, e quando a Rejane expressou dúvidas se não seria demais, a Natália avisou que nesse dia iria beber conosco.

Camarão, cerveja e a vista do mar fizeram com que todo o stress da viagem do dia inteiro realmente fosse embora. Voltamos para a pousada e ligamos por Luís, já que no Capão não tínhamos como ter contato com ele. Foi uma delícia bater papo todo mundo junto pelo viva voz, ele riu muito com todas as nossas aventuras e nós expressamos a falta que ele fez por não ter ido conosco.

Depois de matar as saudades, só restava um bom sono, com hotel bonito ou feio, pra estarmos prontas pra andar pela cidade no dia seguinte.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O jantar todo errado da última noite

A espanhola que era dona do restaurante onde fomos parar era pra lá de atrapalhada! Nos sentamos, ela anotou os pedidos, trouxe as duas cervejas que Rejane e eu havíamos pedido, e sumiu. Depois de meia hora, trouxe o suco de laranja da Natália e esqueceu o do Atílio.  Mais dez minutos e veio com a salada da Cinthia acompanhada de tortilla... fria! Cinthia brincou que combinava com a salada, e tudo bem.

Algum tempo depois a mulher apareceu com um prato que não tínhamos pedido, enquanto estávamos ficando verdes de fome, pois a caminhada de 5 horas durante o dia estava cobrando seu preço. Dissemos que o prato não era nosso, a mulher teimou, teimou e foi buscar o pedido que havia anotado. Foi então que descobriu que tinha olhado a folha errada! Pediu desculpas e avisou que ia demorar - como se até o momento o serviço tivesse sido rápido!

Apareceu novamente, desta vez com o suco do Atílio. E nós de verdes, já estávamos ficando roxos de fome, quando vieram o prato dele e o meu, com o molho quente, a massa morna e o recheio da massa congelado! Comemos assim mesmo, porque a fome era demais.

Veio o prato da Natália, do mesmo jeito que o nosso. O da Rejane, além das temperaturas variadas, ainda veio com o molho errado! Ela comeu o que foi possível e fomos embora irritadíssimos. Tentamos encontrar algum lugar que vendesse doce na Vila, mas foi em vão. Encontramos foi o Diego, que disse que havia ido assistir a um filme feito por uma moradora do Capão sobre a vila, que foi exibido na praça principal. Como não havíamos avisado que iríamos lá, ele nem se preocupou... Fazer o quê? Afinal, quem vai morar lá pretende exatamente adequar o ritmo do trabalho às próprias necessidades, algo completamente diferente do que ocorre nas grandes cidades. Nos restou ir dormir pensando que ao menos o café da manhã da pousada não iria nos deixar na mão!

Acordamos cedo no dia seguinte e Atílio e Cinthia vieram tomar café conosco na Vila Esperança pra nos despedirmos. E antes de seguirmos pra Salvador, aproveitamos pra fazer uma foto com a Renata, nossa "anfitriã", que cuidou de nós com tanto carinho.



Concerto inesperado

O sol já estava começando a baixar e sabíamos que era uma boa caminhada de volta, então botamos o pé na estrada. Levamos 1 hora e 45 minutos de trilha, tranquila porque bem plana. Natália, com bolhas nos pés, foi bem devagar, parando quando possível pra se refrescar.


















Mais uns 50 minutos de caminhada, e chegamos até o carro. O retorno à pousada foi rápido, e aproveitamos, depois de um bom banho, pra já deixar as malas quase prontas para a partida no dia seguinte.

Tudo pronto, pedimos umas cervejas e estávamos relaxando nas redes em frente aos nossos quartos quando ouvimos música vinda de uma varanda estilo deck que ficava ao lado do local onde tomávamos café. Seguimos pra lá, curiosas, e vimos um grupo de pessoas fazendo praticamente um concerto!

Um rapaz chamado Celso estava ao violão, uma moça de nome Mel tocava clarinete, havia uma vocalista, um gringo no baixo, um cara cabeludo numa caixa de percussão e outro rapaz que tocava gaita, bandolim e violino. Chegamos meio sem saber se estávamos atrapalhando, mas eles nos convidaram pra ficar ouvindo e foi muito gostoso! No repertório, muita coisa de Luiz Gonzaga e várias músicas da Bossa Nova. 

Ficamos por lá até a hora de ir pra casa de Atílio e Cinthia, onde compartilhamos nossos arquivos de fotografias, até porque a câmera da Cinthia era muito melhor que a nossa e as fotos dela valiam a pena serem guardadas. Saímos de lá famintos, já antecipando o que pediríamos no restaurante do Diego: duas ou três porções de shitake, pra começar, massas e crepes de maçã e banana caramelada. Menos a Natália, claro, que é maluca por Nutella!

Só que quando chegamos lá... o restaurante estava fechado! Não dá pra descrever nossa decepção, mas a fome era maior, e ao vermos que em frente havia um restaurante de uma espanhola, seguimos em frente, mesmo notando que o local não era tão cuidado como o Diego.

Águas Claras

Chegamos ao local, e desta vez nada de cachoeiras despencando de grandes alturas. Até pela paisagem plana que havíamos percorrido, já dava pra imaginar que se tratava mais de um curso d'água que às vezes se espraiava em bacias de pedra.
O Atílio nos guiou para uma parte muito bonita do rio, onde ele deságua em dois locais próprios para banho. Como havia gente acampada por perto utilizando o poço de baixo, começamos pelo de cima, que era tipo um piscinão. A água era limpíssima e não estava tão gelada, já que o sol havia aquecido o local durante toda a manhã. Como era nosso último passeio no Capão, desta vez até Natália e Rejane entraram na água!

















Enquanto nos secávamos nas pedras, curtindo o sol, aproveitamos pra colocar pra gelar os sucos do nosso piquenique, utilizando pra isso a pequena cascata que alimentava o poço onde tínhamos estado.
















Depois de fazermos nosso "almoço", resolvemos subir o rio em direção à nascente pra enchermos nossas garrafinhas de água, já que sabíamos que o retorno até o local onde estava o carro não seria fácil.


Quando retornamos ao local onde estavam nossas coisas, descobrimos que os acampantes haviam ido embora, deixando o poço de baixo só pra nós! Ele era bem mais fundo que o primeiro e o caminho da água deixou escavados alguns buracos bem curiosos na rocha.

Do primeiro para o segundo poço, a diferença de altura era suficiente pra se encostar na parede de rocha e tomar uma ducha, uma delícia!

Até a Natália se animou pra entrar na água novamente.



domingo, 1 de maio de 2016

Rumo às Águas Claras

Acordamos a tempo para o super café da manhã da pousada, e nesse dia pedimos tudo o que tínhamos direito: além das delícias que estavam servidas, ovos e beiju de tapioca!

Atílio chegou pra nos guiar até a cachoeira das Águas Claras e ao sair da estrada principal para pegar a longa trilha até ela, fiquei com receio de ir com o carro e de repente dar de cara com um local alagado no meio do caminho. 


Deixamos, então, o carro no início da trilha e seguimos a pé. Resultado: meia hora de caminhada numa trilha por onde o carro passaria facilmente...













Depois de percorrermos o trecho em que poderíamos ter utilizado o carro, caminhamos mais 1 hora e 55 minutos numa trilha com paisagens bem irregulares: ora mais fechada, ora mais aberta, com areião, gerais, campina e charco.



O morrão, que até então só havíamos visto de longe, se aproximava cada vez mais, tanto que nem cabia mais em apenas uma fotografia!


sábado, 12 de dezembro de 2015

Reunindo o grupo

Apesar de estarmos adiantadas em relação ao horário que havíamos combinado de pegar a turma que estava na cachoeira da Fumaça, ao sairmos de Conceição dos Gatos Natália e eu demos uma paradinha no pé da trilha pra ver se eles também tinha se adiantado. Como não havia ninguém por lá, seguimos até a Vila pra comprar provisões para a longa caminhada que teríamos no dia seguinte até a cachoeira de Águas Claras.
















Deixamos as compras na pousada e voltamos ao pé da trilha. Nada do nosso povo. Aguardamos cerca de 15 minutos e ninguém apareceu. Retornamos à pousada pra saber se algum deles teria ligado pra avisar de algum imprevisto, mas também não havia recado nenhum. Toca voltar ao início da trilha da Fumaça, que tem horário pra fechar, e enfim, lá estavam eles, com cara de quem comeu e não gostou...

Como éramos oito, seriam duas viagens até a vila, então comecei levando Amilcar e família que ainda precisavam almoçar. Atílio, Rejane e Cinthia preferiram aproveitar o embalo em que estavam pra já irem caminhando em direção à pousada. No carro fiquei sabendo do desencontro que rolou na descida da trilha: alguns do grupo resolveram voltar um pedaço da trilha pra fotografar ou ver algo e pediram pro outros ficarem onde estavam. Esses outros acharam que não teria nada de mais continuarem a caminhar devagar, já que o caminho pra descer era um só. Quando o primeiro grupo voltou e não encontrou o segundo grupo paradinho no local, começou o stress, que acompanhou o grupo todo quando conseguiram se reunir.


Deixei os famintos na vila e voltei pra buscar os caminhantes. Atílio e Cinthia voltaram pra casa, Rejane e eu pra pousada, loucas por um banho. Todas nós refeitas, fomos encontrar os Matsuoka Pasta na vila, fazer companhia no almoço e trazê-los de volta. Cada um sossegado em seu quarto, descansamos e preparamos os sanduíches pra levar no dia seguinte. 

Ao anoitecer, Atílio e Cinthia chegaram pra nos acompanhar até o Galpão, ou restaurante do Diego, onde jantaríamos. Pela foto é possível perceber a enorme variação de temperatura na Chapada: durante o dia, um sol de rachar coco, à noite, os mais friorentos sofrem!
Duas viagens até o restaurante e uma comida deliciosa! Eu fiquei no talharim alho e óleo acompanhado de vinho. Cinthia comeu tudo o que podia: dividiu um Completudaço com a Rejane. De sobremesa, crepe de Nutella ou caramelados de banana e maçã. Difícil decidir qual o melhor. 

Depois dessa refeição soberba, um bom sono pra nos prepararmos pra caminhada do dia seguinte.