quinta-feira, 25 de julho de 2013

Chacoalhando na estrada de terra

Madrugamos para podermos chegar no horário combinado a Lençóis, onde nosso passeio iria começar. Antes até de Natália e Rejane estarem prontas, Atílio e Cinthia já estavam chegando à pousada.

Comemos nossos biscoitos, frutas secas e tomamos os sucos comprados no supermercado no dia anterior e pegamos a estrada. Passamos por Palmeiras, onde houve tempo pra uma paradinha no Banco, já que no Capão isso não existe, e seguimos atrás de muitos caminhões até chegar a Lençóis.

Nosso guia, o Robson, já estava bastante animado: cheio de graça, fazendo piadas, nos encaminhou pra Doblô que nos levaria até a Fazenda dos Meninos, onde nos seria oferecido um café da manhã antes de seguirmos até a Cachoeira dos Mosquitos. O único problema foi o caminho: 20 quilômetros de asfalto e 40 de terra, sendo que a estrada era absolutamente irregular a partir da Fazendo dos Impossíveis.

A fome aumentava, o café da manhã não chegava, e em certo momento a Cinthia sacou sua reserva especial de uvas passas. Ofereceu pra todos nós que estávamos a bordo, incluindo a Rejane, sentadinha no último banco, na "gaiolinha", como ela chamava. Só que as passas chegaram lá e não voltaram mais! Quando alguém pediu as ditas cujas de volta, só tinha uma rapinha no fundo do saquinho, e a explicação da Rejane foi que como ela não conseguia acompanhar a conversa pelo barulho do carro atravessando as pirambeiras, acabou se distraindo com a comida...

Mas a espera valeu a pena, fomos recebidos com um café da manhã delicioso, preparado pela D. Noese, a dona do local. Além do café propriamente dito, havia sucos de mamão com limão, maracujá com manjericão e couve com jenipapo.



Pra comer, tinha avoados (biscoitos de polvilho) e bolo de puba. D. Noese nos ofereceu biju de tapioca, o que aceitamos sem pestanejar. Mas a grande novidade foi que além de prepará-lo com manteiga ou queijo, ela sugeriu que experimentássemos com guaca-mole. Como a maioria de nós curte comidas diferentes, a aceitação foi geral, e enquanto a filha da D. Noese ia buscar os abacates no pé, fomos dar uma olhada na horta, no pomar e no pilão antigo que existe na fazenda. Quando os bijus começaram a ser feitos, foi preciso organizar a distribuição, porque a Cinthia gostou tanto que corríamos o risco de ficar sem!

Felizes e bem alimentados, fomos em direção à trilha que nos levaria à Cachoeira dos Mosquitos, cujo nome, no início, assustou principalmente a Rejane, que é alérgica a picadas e que sempre atrai pernilongos, borrachudos e outros insetos do tipo. Mas ficamos todos mais tranquilos quando o Robson explicou que o nome vinha dos pequenos diamantes conhecidos como "mosquitinhos" que eram encontrados na região.

Começamos num terreno relativamente regular, com um leve declive, que misturava mata atlântica, cerrado e gerais, sendo este último um sistema com areia e vegetação baixa, arbustiva.
Entre os tipos de planta locais, o Robson nos mostrou o candombá, um tipo de mato que pega fogo mesmo quando está molhado.

Na parte de cerrado, de repente o Robson fez sinal para que parássemos. Nós nem tínhamos notado, mas havia uma cobra cipó praticamente atravessada no meio do caminho.


Imaginem nossa alegria quando ele disse que de vez em quando também aparecem onças por lá... até hoje não sabemos se é verdade ou se foi só pra nos deixar espertos!

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